
Ok, é certo que estamos diante de um dos maiores riscos à manutenção da vida humana no planeta de que se tem registro em nossa história. A população cresce em ciclos exponenciais – com a manutenção da taxa atual de crescimento dobraríamos a população mundial em 59 anos – o consumo cresce ainda além deste ritmo.
A taxa de exploração de recursos naturais finitos ultrapassa de longe as taxas de substituição e taxa dos renováveis também ultrapassa as taxas de reposição.
Diante desta crônica da catástrofe anunciada, ainda muito se discorda quando se discute sobre aspectos técnicos específicos, como a quantidade de décimos de graus Celsius que a temperatura média mundial subirá nos próximos 5 anos. Entretanto, ninguém discorda de que o atual sistema não se sustenta no longo prazo, e que para mantermos condições de vida digna para a maior parte da população nos próximos séculos são necessárias mudanças urgentes!
Do que também ninguém discorda é que neste compêndio de soluções para um mundo sustentável há um quinhão do qual a iniciativa privada deve se encarregar. Eis aí o ponto que deu origem a esse Post. No ambiente empresarial, apesar do assunto ter ganhado pauta significativa nas últimas décadas, muito se fala, pouco se faz e menos ainda se pensa com a devida profundidade nas questões relativas a este tema.
Calma. Não se trata de um post radical que pretende jogar nas empresas a culpa pelas mazelas do mundo, nem tão pouco responsabilidade exclusiva por sua salvação. Mas não podemos negar que parte relevante das grandes empresas globais, incluindo as brasileiras, é claro, ainda não responderam, para si mesmas, perguntas simples e da maior importância. Sugiro aqui algumas perguntas que poderiam (ou deveriam) orientar algumas reflexões nos conselhos de administração pelo mundo afora:
1.O que motiva, ou deveria motivar, as empresas a adotarem práticas sustentáveis?
Você já parou para pensar por que você realiza “projetos de sustentabilidade”? Contra (ou a favor) do que você está lutando?
2. Como determinar o nível de responsabilidade das empresas pela sustentabilidade da vida humana no planeta?
Qual é o papel das empresas? Qual é o papel dos governos? Qual é o papel das pessoas? Qual é o papel da sua empresa? Como saber a hora de parar?
3. Qual é a expectativa de retorno sobre o investimento socioambiental?
Quanto você gasta? O que você quer? Como você mede? Você usa os mesmos critérios para avaliar investimentos em expansão e/ou operação e investimentos socioambientais? Por que não? Por que sim?
4.Qual o custo da “não sustentabilidade”?
Em quanto as iniciativas de sustentabilidade da sua empresa contribuem para geração de valor? Quanto se evita/adiciona em custos? E em receitas? Que mudanças seriam geradas a partir de novas iniciativas? Por quanto tempo sua empresa sobreviveria sem essas mudanças?
5.O que seria do mundo se as empresas fizessem o que dizem? E se elas dissessem o que fazem?
Como vai sua estratégia de comunicação? E seu diálogo com partes interesadas?
Estas são apenas algumas de uma longa (e aberta) lista de perguntas em torno das quais as empresas deveriam se permitir uma reflexão. Afinal, as decisões são necessárias, urgentes e, apesar de abundante, o capital é um recurso caro e não deve ser mal utilizado.